segunda-feira, 15 de março de 2010

SALVOS ATÉ O FIM APESAR DE...


Os batistas de Londres escreveram uma Confissão de Fé no ano de 1689, no qual expressa a doutrina calvinista, durante alguns dias estaremos publicando neste blog alguns destes pontos de fé de nossos irmãos batistas, herdeiros da fé reformada em sua essência bíblica. Para um melhor entendimento fizemos algumas organizações, porém o texto é utilizado na íntegra, conforme o Capítulo 17 da Confissão de Fé dos Batistas de Londres de 1689.


“1.Os que Deus aceitou no Amado, aqueles que foram chamados eficazmente e santificados por seu Espírito, e receberam a fé preciosa (que é dos seus eleitos), esses não podem decair totalmente nem definitivamente do estado de graça. Antes, hão de perseverar até o fim e ser eternamente salvos, tendo em vista que os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis, e Ele continuamente gera e nutre neles a fé, o arrependimento, o amor, a alegria, a esperança e todas as graças que conduzem à imortalidade. (1) Ainda que muitas tormentas e dilúvios se levantem e se dêem contra eles, jamais poderão desarraigá-los da pedra fundamental em que estão firmados, pela fé.
Não obstante, a visão perceptível da luz e do amor de Deus pode, para eles, cobrir-se de nuvens e ficar obscurecida, (2) por algum tempo, por causa da incredulidade e das tentações de Satanás. Mesmo assim, Deus continua sendo o mesmo, (3) e eles serão guardados pelo poder de Deus, com toda certeza, até a salvação final, quando entrarão no gozo da possessão que lhes foi comprada; pois eles estão gravados nas palmas das mãos de seu Senhor, e os seus nomes estão escritos no Livro da Vida, desde toda eternidade."


(1) Jo.10.28,29: “Eu lhes dou a vida eterna, jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do meu Pai ninguém pode arrebatar.”
Fp.1.6: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la, até o dia de Cristo Jesus”.
2Tm.2.19: “Entretanto o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor.”
1Jo.2.19: “Eles saíram de nosso meio, entretanto não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos.”
(2) Sl.89.31,32: “... se violarem os meus preceitos, e não guardarem os meus mandamentos, então punirei com vara as suas transgressões, e com açoites, a sua iniquidade.”
1Co.11.32: “Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.”
(3) Ml.3.6: “Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.”

domingo, 14 de março de 2010

A "QUARESMA" NOSSA DE CADA DIA

Os cristãos de segmento protestante, reformado e evangélicos, devido a ruptura com a Igreja Romana, deixaram de usar alguns termos e alguns ritos litúrgicos do catolicismo romano. Embora na linguagem teológica temos conservado muito dos termos da teologia católica, e até mesmo alguns termos dos ritos cúlticos desta Igreja, alguns porém, chegamos até abominar.
Talvez a palavra “quaresma”, seja uma delas. Segundo a Wikipédia “A Quaresma é o tempo litúrgico de conversão, que a Igreja Católica, a Igreja Anglicana e algumas protestantes marcam para preparar os crentes para a grande festa da Páscoa. Durante este período, os seus fiéis são convidados a um período de penitência e meditação, por meio da prática do jejum, da esmola e da oração.
Começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na tarde de quinta-feira santa, antes a Missa da Ceia do Senhor, que inicia o Tridíduo Pascal. Ao longo deste período, sobretudo na liturgia do domingo, é feito um esforço para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros fiéis que pretendem viver como filhos de Deus.” [1]
Quanto ao surgimento da quaresma, historiadores dizem que cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Surgindo assim a Quaresma.
Mas a Igreja é rápida em dizer que não é só no período da quaresma, que o cristão deve se preparar, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus.
Quaresma é essencialmente um retiro espiritual voltado para a reflexão, aonde os cristãos são chamados a aproximar-se de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazerem uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esta comparação significa um recomeço, um renascimento para as questões espirituais e de crescimento pessoal.
Assim como a Igreja Católica, nós também temos nossa liturgia para ‘consagração’. Quem em nossas igrejas, nunca foi convidado para um dia de jejum e oração? Os batistas nacionais, tem pelo menos dois dias oficiais de jejum e oração, 12 de outubro e 15 de novembro, embora não lembrado por muitos. Quem nunca foi convidado para uma ‘vigília de oração’, um dia de jejum, uma semana, ou campanha de oração em nossas igrejas? Qual pastor nunca fez isso? E nossos ‘retiros espirituais’ no feriado de carnaval? E os ‘encontros com Deus’, realizado por grande parte de nossas igrejas? Tais eventos, podem serem chamados de nossa ‘quaresma’ de cada dia.
Mas assim como na Igreja Católica, em nossas igrejas também, muitas destas coisas, ficam apenas no rito litúrgico, não chega a mente, não chega a alma para a devida reflexão, não chegamos a fazer a devida comparação entre o que ouvimos do Evangelho e o que praticamos. Fazemos ‘programas de santificação’, mas não nos convertemos dos nossos maus caminhos. Fazemos ‘retiros espirituais’, mas não nos retiramos do material, do efêmero, do passageiro, do mundano. Fazemos ‘encontro com Deus’, mas não nos deparamos com Deus, “assentado num alto e sublime trono”, reinando e dominando sobre nossa vontade e sonhos. Fazemos orações, mas são na sua maioria ‘orações de consumo’, é sempre ‘venha a mim’ e nunca ‘eis-me aqui’. Fazemos ‘jejum’, mas ‘jejum de poder’ e nunca de arrependimento, de rasgar o coração, de aflição de alma, por causa da nossa fraqueza diante do pecado.
Ah, se os Católicos Romanos, vivessem a essência da sua quaresma! Ah, se os evangélicos, conhecessem e praticassem a sua ‘quaresma’ de cada dia! Seria sim, um recomeço tão necessário para a Igreja de Cristo, nos dias atuais.

quinta-feira, 11 de março de 2010

OS “BONS” PASTORES DÃO AS ARMAS PARA OS LOBOS


Parece que já tinha visto de tudo. Ingenuidade a minha, achar que no ‘reino evangélico’ as coisas são tão santas assim. Estava assistindo o telejornal e fui informado que três pastores da Igreja Mundial do Poder de Deus, foram presos transportando sete fuzis para o morro do Rio de Janeiro.


O que vão dizer os evangélicos? Enumero algumas das prováveis respostas:


1. Que na igreja de Cristo tem joio crescendo no meio do trigo;
2. Que falsos pastores seriam introduzidos em meio ao rebanho como lobos devoradores;
3. Que a igreja não é culpada, pois quem vê cara não vê coração;
4. Que isso é um sinal dos últimos dias;


Poderíamos continuar enumerando as respostas. São tantas, é provável que amanhã muitas outras respostas estarão em nossas listas de ‘desculpas’ santas e bíblicas. Mas deixa prá lá. Na verdade eu penso que o que está acontecendo no meio dos evangélicos brasileiros ainda é mais podre do que o que está publicado na mídia. Tem muito mais bandido disfarçado em nossos púlpitos, roubando e traficando as almas dos incautos. Sim, tem muito mais ‘fuzis’ do que estes encontrados pela PF.


A causa, se for tão simplista explicar estes emaranhado complexo da mercenaria evangélica atual, pode estar na maneira como se conduz o processo de formação dos líderes, pastores, bispos, e apóstolos que tentam administrar este aprisco evangélico brasileiro.
É escandaloso saber que um sujeito que se diz ter uma experiência de conversão ontem a noite, já está convidando os parentes e amigos para amanhã assistirem o grandioso culto de sua ordenação ao ministério pastoral.


É arrepiador saber que líderes são formados ‘nas coxas’ e são responsabilizados pela condução de um rebanho.


É vergonhoso saber que a grande parte das igrejas evangélicas tem seus pastores ordenados por correspondência.


É desastroso entregar a estes que não deram provas de transformação de caráter, nem se sabe se tem “testemunho dos de fora” para poderem servir aos de “dentro”.


Isso é prova clara que, a mensagem da teologia da prosperidade produzem monstros tais como estes, que sendo gananciosos (ainda mais aguçado pela teologia da prosperidade), só reconhecendo o deus de seus próprios ventres, são capazes de tudo, para serem prósperos, bem sucedidos e respeitados. Não estou dizendo de traficar os fuzis, apenas, mais de enganar o povo com a titularidade e prática ministerial.


Será que estavam orando para o esquema dar certo?


Será que haviam feito o voto de Jacó?


Será que estavam dizimando ou dando aos seus comandantes espirituais as primícias?


Vai lá saber!

terça-feira, 2 de março de 2010

A TEOLOGIA DA GLÓRIA

A teologia da glória tem seu enfoque na razão humana e naquilo que consegue descobrir a respeito de Deus exclusivamente a partir da natureza, fazendo com isso, que seus adeptos sejam conduzidos inevitavelmente à espiritualidade moralista da justiça segundo as obras, porque esse conceito parece mais racional para o intelecto humano pecaminoso e caído do que o Evangelho de justificação pela morte de Cristo recebida pela graça mediante a fé somente.

Vemos este conceito de modo prático entre certa ala dos evangélicos. Embora professe a salvação pela graça mediante a fé em Cristo, as demais bênçãos posteriores à esta salvação virá mediante as obras, (tipo: oração, jejum, dízimo, ofertas, participações em determinadas atividades ou programações da igreja), já temos o chamado “encontro com Deus”, como delimitador ou aferidor daqueles que podem ou não podem participar de outros programas da igreja. Aqueles que fazem tais obras, são glorificados com a recompensa do “bem está servo bom e fiel...”, esta espiritualidade moralista da justiça pelas obras é ensinada, praticada e vivenciada em várias igrejas (inclusive batista nacional), sob as barbas da liderança denominacional, que ou não querem se pronunciar ou não tem senso de análise crítica e teológica.

A teologia da glória é a teologia centralizada no homem e induz à superestimação do poder e da capacidade naturais do homem. O homem pode tudo, ele é imbatível, é o todo-poderoso, tão poderoso que já determina o que Deus deve e precisa fazer para o bem estar de sua super-poderosa criação humana. É um tal de determinar, de dar a voz de comando, de colocar as plantas dos pés, de segurar Deus pelo “beiço” através dos atos proféticos, em suma nós estamos tão bem na “foto” que já mandamos em Deus.

Outrora se lia na Bíblia que a verdadeira condição humana é de pecadores desamparados, alienados de Deus, na mente e no coração, necessitando desesperadamente do plano de salvação criado por Deus: Jesus Cristo.

A teologia da glória sugere que os seres humanos podem se elevar a Deus por seus próprios esforços e conduz a projetos humanos de salvação própria e de especulação teológica. É tão forte esta concepção que o hits mais cantado e vendido entre os evangélicos da atualidade proclama: “Quero subir ao mais alto que eu puder...”

Estamos criando nossos próprios projetos de salvação, seja qual for seu esquema, seu método, sua teoria, a verdade é que a teologia da glória nos cegou com seus canhões de luzes malignas e carnais.

Precisamos de uma teologia que proclama que os seres humanos são totalmente dependentes e incapazes de descobrir qualquer coisa a respeito de Deus sem a ajuda do próprio Deus, e conduz ao discipulado marcado pelo sofrimento em nome de Deus e do próximo.
Na teologia do Evangelho não tem glória a não ser em Cristo. A cruz não dá ibope, não rende, não aplaude e estamos apaixonados demais com nosso projeto de salvação, para nos render ao péssimo mau gosto da crucificação.

Já ouço os super-crentes dizerem:

- Tá amarrado! Tá rejeitado tal proposta em meu poderoso nome, afinal eu posso em mim mesmo.

Exagero? Observai vossas assembléias solenes e vereis do que vos falo.

É a glória, mano, a nossa glória e nada mais, o que passa disso é procedência da Bíblia.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A MENTORIA DE TIM TONES NA PRÁTICA – DE UM ESPETÁCULO A UMA REALIDADE NAS IGREJAS

A imagem do vídeo abaixo é ruim, mas o som está bom; o pior neste vídeo é perceber que brincando e criticando o segmento evangélico, Chico Anysio, prefigurou a nossa tragédia como igreja evangélica brasileira. Na época era mesmo muita sátira, hoje, vemos a mentoria do Tim Tones em nossas igrejas. Observei algumas identificações:

  1. Uma multidão que celebra o culto à personalidade, cada um quer ser o mais importante neste “reino terreno”, para receber o calor da platéia;
  2. A maneira descarada de enganar o povo em nome de Deus, e a tentativa de mediar entre o homem e Deus (a cobertura espiritual de Tim Tones);
  3. O engano da intimidade com Deus, já ouvi de certo “profeta” que Deus ligava para ele no celular e lhe dava recados para a platéia;
  4. A tirania da “passada da sacolinha” também é mortal;
  5. A venda dos artigos religiosos, o “aerosol espanta satanás” do Tim Tones tem se multiplicado em nossos dias;
  6. A prosperidade como “o bem maior”, fica evidente no quadro do Tim, e mais evidente ainda em nossas igrejas;
  7. A bênção pelo mérito da oferta dispendiosa era a base teológica do Tim, e é a mesma dos “Tins” da vida real.


A história do verdadeiro Tim Jones, que criou uma seita denominada “Templo dos Povos” na selva da Guiana, cujo desfecho final foi o suicido coletivo de mais de 900 pessoas, demonstram em que pode acabar um auditório e um maluco no púlpito.


O Chico Anysio não brincou com a tragédia do Tim Jones, ele brincou com a realidade do povo evangélico brasileiro. Mas se diferente somos daquela tragédia, não é por não termos 900 corpos que sucumbiram com cianureto; pois veneno mais latente, é o veneno da descaracterização do Evangelho, pois, se não há Evangelho, não há boa notícia, e não havendo as boas novas do Evangelho, só nos resta a má notícia: ESTAMOS TODOS ENVENENADO PELO CIANURETO DA MENTORIA DE UM TAL “TIM TONES”, QUE SE TORNOU REALIDADE EM NOSSO MEIO.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

UM GRANDE CIRCO CHAMADO ‘IGREJA’


Quando era menino ia sempre ao circo, gostava de cada espetáculo oferecido, demorei me cansar e perceber que os espetáculos eram repetição do repertório a cada show. Continuei indo ao circo, agora com minhas filhas, no início era uma festa, depois como eu, descobriram que tudo era uma mera repetição. Paramos de ir. É tudo a mesma coisa, repetição e nada mais. Um espetáculo, mas repetido.
Agora quando entro numa igreja, (nem todas é claro), tenho a sensação de ouvir o dirigente do culto anunciar: “respeitável público vai começar o maior espetáculo da terra, venham, se achegam, o culto vai começar”.
E logo vejo os ministros de louvor com seu malabarismo envolvente. Luzes, fumaça, bailarinas se retorcendo e um frenesi imensurável, um show, um verdadeiro espetáculo.
E o mágico! Esse é fantástico. Usando todo o seu poder de sedução consegue fazer sumir o dinheiro do bolso da platéia e aparecer dentro de uma caixa previamente preparada que fica a frente do grande picadeiro.
O palhaço é uma graça. Ele chega vestido de deputado (terno e gravata), e tudo o que ele diz é aplaudido e em grandes gargalhadas é consumido. É passinhos imitando o rei do pop, tom de voz imitando outros “palhaços famosos” que arrastam multidões ao grande circo. É besteirol em cima de besteirol. Tudo devidamente programado para que o povo possa se alegrar, afinal, a platéia foi ali para se divertir. Nada de palavras que causem choro, gemidos de arrependimento, mudança de vida, retorno. Nada disso. O povo precisa se divertir e vieram ao lugar certo, ao Grande Circo da Fé – que popularmente se chama igreja.
Um amigo meu segregou aos meus ouvidos uma revelação de um famoso apóstolo que afirma que esta é a geração da transformação da igreja. Não sou contra a transformação da igreja. Ela precisa mesmo de ser transformada. Mas precisava ser num CIRCO???

sábado, 6 de fevereiro de 2010

REGIS DANESE NÃO ENTENDEU A MENSAGEM DE ZAQUEU


A música do Regis Danese “faz um milagre em mim”, foi vendida e cantada por milhões de fiéis em todas as igrejas brasileira, independente da ‘marca’. A idéia do compositor era contar a história de Zaqueu (Lucas 19). Alguns irmãos me perguntaram o que achava desta música, respondi que era bonita, fácil de cantar, mas sua letra não condizia com o texto na qual o compositor havia proposto a cantar. E foi aí que vieram as perguntas, e não querendo escandalizar os ‘levitas’ desviei delas, até que agora decidi abrir a boca.
Eu não ouço música evangélica, só porque é evangélica. Eu ouço qualquer música, desde que tenha qualidade. Sou eclético. Mundano para alguns. Mas a verdade é que, se queremos com uma música refletir em um texto bíblico, sendo esta música um sermão, embora cantado é uma mensagem, ela precisa ser ao menos coerente com o texto que a inspirou. Faço aqui algumas observações na música do Regis, é minha opinião, e não fecho a questão, ela está aberta a discussões e a outras opiniões. Vejamos:
“Como Zaqueu eu quero subir,
O mais alto que eu puder.
Só pra te ver, olhar para Ti,
E chamar sua atenção para mim,”
O Regis começa pecando na letra quando ele interpreta o motivo que levou Zaqueu a subir naquela árvore. Zaqueu não subiu na árvore para chamar a atenção de Jesus. Ele subiu na árvore devido a sua “pequena estatura”. (v. 3)
O meu problema com a música do Regis é porque ele coloca a salvação de Zaqueu depender de sua atitude, tipo: subir na árvore para chamar a atenção. E este é o entendimento do Regis. Ele começa afirmando que vai subir “o mais alto que eu puder”. Em outras palavras, vou me esforçar no máximo. E porque tanto esforço? Ver Jesus, e chamar a atenção de Jesus. Isso é tipicamente religioso, mas não é bíblico, nem condiz com o pensamento dos Evangelhos.
A religião vive nos fazendo subir em árvores. Uma volta ao primitivismo da evolução (quem sabe?). Ela vive nos colocando no picadeiro de um grande circo, chamado igreja, onde ficamos fazendo todo tipo de espetáculo para ver se Cristo, olha para nós. É cada um se esforçando no que pode. Cada um querendo ver se atrai os olhos complacentes de Cristo. Pura ilusão. Idiotice da religião e seus gurus.
Se Cristo tivesse achado fenomenal o fato de Zaqueu estar em cima da árvore ele não teria dito: “desce depressa” (v. 5). E se Zaqueu tivesse subido na árvore com o propósito de fazer os olhos do Todo-poderoso se dirigir a ele, não teria apressado em descer (v. 6). Se Zaqueu tivesse pensado como Regis e sua legião, teria tido: “Não, Senhor, não posso descer, minha idéia funcionou, eu consegui mover teu olhar, eu sei mover teus olhos, o segredo é subir bem alto, ‘o mais alto que eu puder’”.
Mas a Bíblia diz que Zaqueu desceu depressa, e não desceu porque tinha conseguido atrair o olhar de Cristo, desceu porque foi chamado por Cristo. Mas se Cristo olhou para Zaqueu não foi pela posição privilegiada dele em relação a multidão. É que Cristo viu em Zaqueu um pecador dependente de salvação e ele não estava passando por ali por acaso. Ele tinha um propósito salvador para Zaqueu. O pecador intimado pela voz irresistível do Espírito Santo, jamais fica na posição em que sua idéia adâmica o impeliu, ele desce e compreende que é aqui no chão, aos pés do mestre que Cristo faz a mudança tão significativa na vida dele.
Zaqueu subiu sim na árvore, porque era de pequena estatura. Mas Zaqueu não convidou Cristo para entrar em sua casa. O texto disse que foi Cristo que se ofereceu a entrar na casa de Zaqueu: “hoje me convêm pousar em tua casa” (v.5). E Zaqueu “desceu e o recebeu alegremente” (v.6).
Irmãos, todo a mudança na vida de Zaqueu foi ocasionada pelo “DESCER” e não pelo “SUBIR”.
Toda mudança na vida de Zaqueu foi provocada pela iniciativa de Cristo em querer entrar na casa de Zaqueu. Cristo se ofereceu primeiro. Cristo quis salvar Zaqueu.
Zaqueu só tomou iniciativa baseado em sua vida natural. Ouviu falar de Jesus, ficou curioso, não se atreveu a romper a multidão, não arriscou perdê-lo de vista, subiu na árvore impelido pela sua pequena estatura. Tudo isso é do homem natural. Ele usa recursos naturais para ver se de algum modo atrai o olhar da divindade. É uma tentativa. Apenas isso e nada mais.
Zaqueu só foi transformado porque Cristo mandou ele descer e decidiu entrar em sua vida e em sua casa. Sem o ‘me convêm’ de Cristo, você pode esforçar e subir até aonde você agüentar, nada vai mudar, milagre não virá. Mas quando a doce e poderoso voz de Cristo for dirigida a você dizendo “desça”, você descerá e receberá com alegria aquele que virá trazer salvação em tua casa.
A música do Regis é bonita e fácil de cantar, mas infelizmente, ele não entendeu a mensagem de Zaqueu para nos hoje. E o “descer” e não o “subir” que está evidenciado no texto. A vida de Zaqueu está dividida em “subir” e “descer”. Enquanto Zaqueu subiu ele continuou o mesmo homem, mas depois que ele desceu sua vida foi mudada, houve um mexer de estrutura, houve o milagre da transformação.
Regis, que tal cantarmos “como zaqueu quero descer”?