quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

CHEGA DE ‘DEUS’ ARISTOTÉLICO – SE DEUS REINA, DEUS GOVERNA!

Para Aristóteles Deus é o agente motor imóvel (primum móbile immotum), um ser incorpóreo, indivisível, sem espaço, assexuado, sem paixão, sem alteração, perfeito e eterno. Ele é a causa final da natureza, é o impulso e a causa das coisas, é pura energia (o Actus Purus da Escolástica).
No entanto com a sua costumeira inconsistência, Aristóteles representa Deus como um espírito autoconsciente, todavia esse Deus aristotélico é muito misterioso, pois ele nunca faz coisa alguma; não tem desejos, vontade, propósito; é uma atividade tão pura que nunca age. É absolutamente perfeito, portanto não pode desejar coisa alguma; portanto nada faz. Sua única ocupação é contemplar a essência das coisas; e como ele próprio é a essência de todas as coisas, sua única tarefa é contemplar a si mesmo. Ele é um rei que nada faz; “o rei reina, mas não governa”.
Esse Deus aristotélico está entronizado em nossas congregações. Em primeiro lugar é um Deus misterioso e afastado, escondido no meio da ‘fumaça’ da adoração dos seus fiéis. Um Deus que está enclausurado em uma torre de marfim em algum lugar secreto que devemos ir até lá, marcar um ‘encontro’ com ele e quem sabe descobrir que ele é ‘tremendo’.
Este Deus aristotélico também é um Deus passivo. Ele nunca faz nada. Toda ação no mundo é o exercício do livre arbítrio do homem, ou a ação de Satanás, ou um espírito territorial qualquer. Toda vontade existente no mundo é do homem. Deus nunca quer. Só o homem tem querer neste altar. Também não há propósito nenhum em Deus. As coisas acontecem à mercê de alguma atividade de ordem humana, ou da natureza, ou, (devido a ‘brecha’ de certos homens), de satanás.
Enquanto isso o Deus aristotélico está a olhar no espelho e a contemplar a si mesmo. Enquanto ele se auto-admira, o mundo segue o seu curso, no governo da vontade humana ou no governo de satanás. Se alguma coisa acontecer é porque o homem deixou, decidiu, decretou, determinou, não vigiou, fracassou... e satanás que não é bobo nem nada, aproveitou a oportunidade e “pimba”.
Esse Deus aristotélico é pregado, ouvido, crido e adorado há séculos em nossas igrejas. Não é de se admirar que haja tanto planejamento, tanta correria, tanto ativismo, tanto modelo, tanta tentativa de ‘encontrar’, de ‘despertar’ o agir, de ‘mover’ o braço deste Deus.
Enquanto isso, nós ficamos aqui a contemplar o rei que reina, mas não governa. Ele tem a coroa, o título, a honra só falta o governo.
Que tal neste 2010 experimentarmos um Deus revelado, próximo, que não olha para seu próprio umbigo, mas para nós, criaturas dependentes, não apenas do seu status de rei, mas também do seu governo, com seus decretos e propósitos infalíveis?

Falemos com a mesma fé encontrada no Livro de Jó: “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos podem ser frustrados” (42.2)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

APOSTOLADO CONTEMPORÂNEO – UM ERRO HERMENÊUTICO OU UM RANSO DE CATOLICISMO ROMANO?


Nestes tempos de tantas novidades, algo chama atenção de maneira muito preocupante na história recente da igreja: trata-se do Apostolado Contemporâneo, ou Restauração Apostólica. Muitos têm se levantado como apóstolos nestes dias. Apóstolos ungindo apóstolos e criando uma hierarquia apostólica. Alguns pastores que, talvez por se sentirem menores que seus colegas de ministério que foram ungidos como apóstolos, ungem-se a si mesmos e se auto-proclamam apóstolos. Não há fundamento para o chamado ministério apostólico contemporâneo pelo simples fato do mesmo não possuir respaldo bíblico.

O termo
Segundo o Dicionário Bíblico Universal, o termo apóstolo “significa mais do que um 'mensageiro': a sua significação literal é a de 'enviado', dando a idéia de ser representada a pessoa que manda. O apóstolo é um enviado, um delegado, um embaixador” (Buckland & Willians, p. 35) . A Bíblia de Estudo de Genebra também aplica esta descrição, dizendo que apóstolo “significa 'emissário', 'representante', alguém enviado com a autoridade daquele que o enviou” (Bíblia de Estudo de Genebra, p. 1272).

A frágil sustentação
Aqueles que defendem esta frágil posição, têm se sustentado principalmente na má interpretação do texto de Efésios 4.11 para o uso do ministério apostólico para nossos dias. O texto de Efésios 4.11 diz: “E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres”.

A refutação
As regras mais simples de hermenêutica nos ensinam que os textos sagrados nunca devem ser tirados de seu contexto. E no contexto da epístola de Paulo aos Efésios, temos no capitulo 2 o texto que prova que este ministério não mais existe. Em Efésios 2.19-20 diz: “Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular”.

Cristo é a pedra angular e os fundamentos foram postos pelos apóstolos e profetas. Os evangelistas, pastores e mestres são os responsáveis pela construção das paredes desta obra. Como bem explica Norman Geisler “De acordo com Efésios 2.20, os membros que formam a igreja estão 'edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas'. Uma vez que o alicerce está pronto, ele não é jamais construído novamente. Constrói-se sobre ele. As Escrituras descrevem o trabalho dos apóstolos e dos profetas, quanto à sua natureza, como um trabalho de base” (Geisler, p. 375).

A Bíblia registra o uso do termo apóstolo a outros personagens. Russel N. Champlin explica que “há também um sentido não técnico, secundário, da palavra ´apóstolo´. Trata-se de uma significação mais lata, em que o termo foi aplicado à muitas outras pessoas, nas páginas do NT. Esse sentido secundário dá a entender essencialmente ´missionários´, enviados dotados de poder e autoridade especiais” (Champlin, p. 288, v. 3).

Existiam duas exigências fundamentais para que um apóstolo fosse reconhecido para tal função:

1) Ser testemunha ocular da ressurreição de Jesus Cristo (Atos 1:21-22; Atos 1.2-3 cf. 4.33; 1 Coríntios 9.1; 15.7-8);
2) Ser comissionado por Cristo a pregar o Evangelho e estabelecer a igreja (Mateus 10.1-2; Atos 1.26).

No entanto, os que se intitulam apóstolos em nossos dias não se encaixam nos padrões bíblicos que validam o apostolado.

É interessante que, enquanto Paulo refere-se a si mesmo como “o menor dos apóstolos” (1 Coríntios 15.9), os atuais apóstolos tem por característica a fama e a ostentação do título. Tudo é apostólico! A unção é apostólica! Os eventos são apostólicos! As músicas são apostólicas! Nem de longe se assemelham com a humildade dos apóstolos bíblicos. Eventos, cultos e seminários se tornam mais interessantes quando a presença do Apóstolo Fulano é confirmada. É um chamariz: “venha e receba a unção apostólica diretamente do Apóstolo Beltrano”. Tais apóstolos têm se colocado como super-crentes, uma nova e especial classe da igreja, a elite cristã dos tempos modernos. Hoje existe de tudo um pouco neste balcão mercantil da fé: Apóstolo do Brasil, Apóstolo da Santidade, Apóstolo do Avivamento e até mesmo o mais popular apóstolo brasileiro, chamado por muitos por “Paipóstolo”.

O que pode está por trás deste interesse pelo título é explicado de uma forma muito esclarecedora, por Wayne Grudem: “Embora alguns hoje usem a palavra apóstolo para referir-se a fundadores de igrejas e evangelistas, isso não parece apropriado e proveitoso, porque simplesmente confunde que lê o Novo Testamento e vê a grande autoridade ali atribuída ao ofício de ‘apóstolo’. É digno de nota que nenhum dos grandes nomes na história da igreja – Atanásio, Agostinho, Lutero, Calvino, Wesley e Whitefield – assumiu o título de ‘apóstolo’ ou permitiu que o chamassem apóstolo. Se alguns, nos tempos modernos, querem atribuir a si o título ‘apóstolo’, logo levantam a suspeita de que são motivados por um orgulho impróprio e por desejos de auto-exaltação, além de excessiva ambição e desejo de ter na igreja mais autoridade do que qualquer outra pessoa deve corretamente ter”. (Grudem, p. 764).

Tamanho o fascínio que os crentes possuem por essa Restauração Apostólica, gera preocupação nas lideranças mais sóbrias. Vale citar as sábias palavras de Augusto Nicodemus Lopes: “Há um gosto na alma brasileira por bispos, catedrais, pompas, rituais. Só assim consigo entender a aceitação generalizada por parte dos próprios evangélicos de bispos e apóstolos auto-nomeados, mesmo após Lutero ter rasgado a bula papal que o excomungava e queimá-la na fogueira.”
E agora fica as perguntas: quem vai rasgar a ‘bula’ apostólica contemporânea?
Alguém se habilita?
Medo da excomunhão? Talvez isso sim, explique nossa passividade ao apostolado contemporâneo, afinal os ‘caras’ tem bastante ‘poder’.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O NATAL QUE OS ‘EVANGÉLICOS’ ESTRAGARAM


Quando eu era menino, de todas as festas religiosas que se comemorava lá em casa, o natal era a principal. Tínhamos uma casa grande de onze cômodos, éramos sete irmãos, e ainda tínhamos os parentes mais ‘chegados’ que sempre vinham para a prosa do dia natalício. Era tudo uma festa, comidas, bebidas, músicas, alguns presentes e muita prosa, “causos” que deliciava os nossos ouvidos infantis. Não tínhamos árvore de natal, nem a figura do papai Noel, (nossos pais não via necessidade deles), Mas havia muita alegria. Era um grande dia.
Eu cresci curtindo o natal. Até hoje, os familiares mais perto se encontram, conta as estórias e se divertem. Na minha adolescência, participava das peças ‘teatrais’ em nossa igreja. Enfeitar a igreja com os enfeites típicos natalinos, era uma grande festa pra nós. Mas nunca passou pela minha cabeça que estava participando de uma festa pagã. Nem sonhava na idéia de que um dia um grupo de ‘crentes’ espirituais demais iria estragar esta festa.
Hoje em nossas igrejas não se comemora o natal. Isso é paganismo, afirmam. Árvore de natal, nem pensar. Sem falar de Papai Noel, este está de todo ‘encapetado’.
Mas esta idéia não é novidade para nós. Há muito tempo se pensa que o Natal tem raízes pagãs. Por causa de sua origem não-bíblica, no século 17 essa festividade foi proibida na Inglaterra e em algumas colônias americanas. Quem ficasse em casa e não fosse trabalhar no dia de Natal era multado. Mas os velhos costumes logo voltaram, e alguns novos foram acrescentados. O Natal voltou a ser um grande feriado religioso, e ainda é em muitos países.
É verdade que segundo estudos, a data de 25 de dezembro não é a data real do nascimento de Jesus. A Igreja entendeu que devia cristianizar as festividades pagãs que os vários povos celebravam por altura do solstício de Inverno.
Portanto, segundo certos eruditos, o dia 25 de dezembro foi adotado para que a data coincidisse com a festividade romana dedicada ao "nascimento do deus sol invencível", que comemorava o solstício de inverno. No mundo romano, a Saturnália, festividade em honra ao deus Saturno, era comemorada de 17 a 22 de dezembro; era um período de alegria e troca de presentes. O dia 25 de dezembro era tido também como o do nascimento do misterioso deus persa Mitra, o Sol da Virtude.
Assim, em vez de proibir as festividades pagãs, forneceu-lhes um novo significado, e uma linguagem cristã. As alusões dos padres da igreja ao simbolismo de Cristo como "o sol de justiça" (Malaquias 4:2) e a "luz do mundo" (João 8:12) revelam a fé da Igreja n'Aquele que é Deus feito homem para nossa salvação.
Apesar deste sentido cristão dado a festa, nesta época os “estraga-festas” de plantão, atiram contra toda demonstração natalina dentro da igreja. Mas participam dela no comércio, gastando e até se endividando pela compulsão consumista provocada pelos “gingos-bels” das lojas.
A mensagem da Encarnação do Logos, não é evidenciada neste período, com o medo de estarmos participando de culto pagão. Mas quanto paganismo está dentro de nossas igrejas? Sim, quantos? Rosa ungida, toalhinha da bênção, martelinho, óleo ungido de Israel, águas do Rio Jordão, sabonete da purificação, galhos de arruda, sal grosso, Terra de Israel, espadas, chave da bênção da casa própria, pedras da coluna, ...
Isso não seria paganismo? Claro que sim. A diferença é que este paganismo evangélico, ainda não tem dia marcado no calendário. Até que este dia chegue vão estragando o natal dos outros.
Pra quem não tem superstição neste dia: FELIZ NATAL! BOAS FESTAS!!!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

MALAFAIA E SUA BÍBLIA MÁGICA VERSUS 70 MILHÕES DE POBRES NO BRASIL


Eu estou envergonhado com a proposta do Malafaia. Estou falando da Bíblia Sagrada, um livro universal, que a Associação Vitória em Cristo, de um famoso pregador insiste em fazer “oferta casada”, cobrando a simplória quantia de 900 reais. Uma bíblia nesta versão, não custa mais que R$ 150,00 nas livrarias especializadas.
Mas também estou envergonhado pela estupidez do povo que se diz povo de Deus. Mas isso não é novidade porque o profeta já havia comparado a nossa capacidade de discernimento com a capacidade de discernimento dos jumentos, e o resultado não é nada animador – OS JUMENTOS GANHARAM (Is 1.3). Sim existe um cérebro, menor que o cérebro de jumento em nós, que nos impede de discernir, de entender Deus e a sua Palavra.
Sendo assim não é de admirar-se que um mercador que nos ofereça uma “casadinha” (promoção que pra você levar um produto tem que comprar outro), nos assanhe a cobiça consumista e oportunista, consiga nos influenciar, a ponto de aceitarmos a proposta do mercado da fé.
Pior que isso é não perceber que o sujeito está nos ludibriando. Ora, de bíblia não entendemos ‘patavina’ nenhuma, mas ao menos poderíamos aproveitar as informações que a mídia nos passa.
O Malafaia e a sua bíblia mágica estão blefando pessoal. Pior que isso, está mentido. Mentindo que lá dentro da “lamparina”, disfarçada de bíblia, tem uma “unção de prosperidade’, que vai libertar aquele que a manusear, (a saber, comprar), de toda a “maldição de pobreza”.
Malafaia, não é só você e os seus seguidores que são “jumentos”. O seu “Deus”, também é um jumento. E mais, é déspota, malvado e que tem prazer em “sacanear” com os pobres. Sim, porque o Brasil é um dos primeiros do mundo em desigualdade social. Aqui, 1% dos mais ricos se apropria do mesmo valor que os 50% mais pobres. A renda de uma pessoa rica é 25 a 30 vezes maior que a de uma pessoa pobre. Há no País 56,9 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza e 24,7 milhões de pessoas vivendo em extrema pobreza.
Será que Deus não contemplou estes 70 milhões que estão debaixo da ‘maldição’ da pobreza? Será que Deus não tem prazer de ‘liberar’ sua “unção de prosperidade” sobre estes miseráveis? Claro que sim, Deus quer, mas eles infelizmente não podem comprar o QUERER de Deus. E este querer, na promoção de Fim de Ano, está custando apenas R$ 900,00. Se você não tem, só te resta está pelo PAPAI NOEL. Quem sabe ele te manda uma bíblia da prosperidade de presente! O bom velhinho parece ser mais camarada que o “Deus”, do Malafaia. Pelo menos ele não vende o presente. Se não vir, você já está no lucro. Não pagou nada. Só esperou.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

MALAFAIA DE MALA CHEIA


O povo de Deus que me perdoe, mas que povinho atrasado estes ‘crentes’, viu!
O Malafaia está vendendo (vendendo não), está doando uma bíblia poderosa ao povo evangélico, por uma oferta voluntária de R$ 900,00. Se você quiser a bíblia que está sendo doada, basta acessar o site e solicitar sua bíblia, e ofertar uma quantia voluntária do valor descrito acima.
Que doação!!!
Como é caridoso, este pastor!
Que voluntariedade!
Vem cá, eu posso pagar só R$ 10,00?
De jeito nenhum! Você acabaria sem a bênção porque o propósito é de R$ 900,00. Deus trabalha com propósito. Oh, deusinho, desinformado este nosso. Não sabe nada da pobreza dos seus fiéis. Aqui no Brasil, deus, a maioria dos crentes ganham salário mínimo. Estão vivendo com R$ 450,00. Não sobrará para te comprar a bíblia de R$ 900,00. Neste caso, deus, os caras que o senhor teria que prosperar. Que teria que libertar-los da prisão e da maldição da pobreza, vão continuar sem a unção especial sobre a vida financeira.
Mas este deus, não se importa. Ele fará outra promoção. Tempo não há de lhe faltar. E criatividade também. Afinal este deus, é um expert em “tomar” o dinheiro dos fiéis.
Quanto ao pessoal que vão comprar a bíblia, eu lhes asseguro. A bíblia da prosperidade funciona mesmo. Quando acessar o site e fizer a “transação” já desencadeia uma unção de prosperidade. Neste exato momento alguém está ficando mais rico – mas este alguém não é você. Quem vai encher a mala é o Malafaia.
Ah, já ia me esquecendo o preço de bíblia de estudo varia entre R$ 90,00 à R$ 150,00.
Já que o negócio é negociar faça as contas dá pra comprar umas 10 bíblias. E aproveita pra doar uma para o Malafaia, quem sabe ele se converte a graça do Evangelho.

ECOLOGIA E A MENTALIDADE DESTRUIDORA DA TEOLOGIA DOENTIA DE ALGUNS EVANGÉLICOS


Hoje em dia estamos vivenciando uma grande ameaça à vida devido a agressão feita a nossa casa, o planeta Terra. Seus recursos naturais estão se esgotando, florestas estão sendo devastadas e isso afeta a harmonia do planeta. Mudanças no clima, por exemplo, já são uma realidade. Mas são muito mais numerosos e terríveis os agres¬sores da natureza. Queimadas, desmatamentos, monocultura e agropecuárias dos latifúndios, agrotóxicos, caça e pesca predatória e indiscriminada, grandes barragens, poluição das águas e do ar e por aí a fora.
- Mas e daí ? Perguntam alguns.
- E eu com isso. Dizem outros.
- Afinal isso tudo vai pegar fogo!
Tem ‘crentes’, olhando para o aquecimento global e dando glórias a Deus, porque afinal Jesus está voltando. É o fim dos tempos. Glória a Deus!
Tem ‘crentes’, pouco se lixando com o planeta, porque afinal a “terra vai pegar fogo”, é bíblico dizem eles.
E nesta mentalidade destruidora, nesta tara apocalíptica, neste desejo de ver o ‘fogo do juízo’ divino se abatendo contra os infiéis, celebramos a destruição do planeta.
Sim, celebramos a destruição da Terra em nome de uma suposta catástrofe já profetizada e determinada por Jeová, que não tem ‘crente’ que impeça de acontecer, afinal os desígnios proféticos de Deus não serão frustrados.
Essa teologia doentia ameaça o planeta. E impede que os ditos ‘evangélicos’ aceite ao menos discutirem a possibilidade da pauta ecológica na igreja.
Os países que nos venderam esta teologia são os que mais poluem o planeta e resistem qualquer possibilidade de reconciliação com a mãe natureza.
Esta mentalidade destruidora impulsionada a séculos por uma teologia doentia nos empurram para um final catastrófico, e nos acenam com a consolação: “fique tranqüilos, nos vamos morar no céu ao lado de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”.
E agora o que fazer Jesus?
Jesus, se me permite um aviso. Cuidado com o teu céu, quando chegarmos por aí.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

PASTORES-LOJISTAS E CRENTES-CLIENTES – UM SHOPPING-CENTER CHAMADO ‘IGREJA’

O que você espera encontrar na igreja evangélica? Qual o tipo de atendimento você espera receber? Que tipo de ‘produto’ você deseja levar para casa? Observando nossa igreja evangélica e seus ministros nos fazem crer que o que estas oferecem tais como: programas, encontros, retiros, oficinas, conferências, mas parece um serviço de consumo. A mentalidade do marketing predomina, a ilusão de que o mero uso de técnicas e programas irá resultar em sucesso e crescimento. Ao que nos parece os pastores e suas igrejas se se metamorfosearam num grupo de lojistas. Eles estão preocupados com as preocupações dos lojistas: como manter seus clientes felizes, como atrair mais clientes para longe dos competidores do outro lado da rua e como empacotar seus produtos de forma que os consumidores paguem mais dinheiro. Alguns deles são muito bons lojistas. Eles atraem uma multidão de consumidores, angariam grandes somas de dinheiro, adquirem esplendida reputação. Mesmo assim isso é apenas comércio. É verdade que sejam bons donos de lojas, mas não deixam de ser apenas lojistas. Igrejas se tornam firmas, meras lojas que fabricam e vendem produtos religiosos, em busca de clientes e aumento de sua fatia no competitivo mercado religioso. Mesmo sem toda a sofisticação das grandes empresas, elas têm aprendido a utilizar as estratégias de marketing de maneira eficaz, procurando conhecer as demandas do público, oferecendo-lhe produtos diferenciados das outras igrejas e específicos às necessidades físicas, emocionais, profissionais e espirituais dos membros, para que possam satisfazer os seus desejos. A Igreja neste contexto deixa de ser o povo de Deus e assume dimensões materialistas e consumistas. Essas igrejas tendem a serem dominadas por uma prática de vida auto-centrada, egoístas, mais preocupadas com a edificação de seus impérios pessoais do que com a expansão do Reino de Deus. Diante de tantos produtos religiosos e opções eclesiásticas, lamentavelmente o crente-cliente e o visitante desigrejado se vêem com total liberdade para utilizar critérios consumistas na escolha da melhor igreja. Os critérios são semelhantes àqueles utilizados na escolha de um restaurante ou pizzaria: prazer, sabor, gosto, qualidade do produto e atendimento, promoções, boa propaganda, etc. O envolvimento nas igrejas em geral é estritamente opcional e exercitado pelo indivíduo, com sua própria decisão pessoal. Já vimos que, como resultado, membros e não-membros são vistos como consumidores religiosos atrás de produtos, buscando os serviços religiosos que melhor se encaixem às suas necessidades pessoais.
A impressão é que o reino de Deus poderia ser alcançado através de genialidade humana e capacidade profissional. No fundo do coração, cresce a florzinha da auto-suficiência que afirma ser o crescimento da igreja resultado muito mais do planejamento e esforço humano do que ação de Deus e poder do Espírito Santo.