sábado, 7 de agosto de 2010

DEUS COMO MODELO DE PATERNIDADE

“... Pai nosso, que estás nos céus...” (Mateus 6.9)

01). O MODELO DE “PAI” TAL COMO O FILHO NOS REVELOU

1. Purificando nosso coração das imagens paternas oriunda de nossa história pessoal e cultural
· A purificação do coração diz respeito às imagens paternas ou maternas oriundas de nossa história pessoal e cultural e que influenciam nossa relação com Deus
· Antes de fazer nossa esta primeira invocação da Oração do Senhor, convém purificar humildemente nosso coração de certas imagens falsas a respeito "deste mundo".
· A humildade nos faz reconhecer que "ninguém conhece o Pai senão o Filho ele a quem o Filho o quiser revelar" (Mt 11 ,27), isto e, aos pequeninos" (Mt 11,25).

2. Orar ao Pai é entrar em seu mistério, tal qual Ele é, e tal como o Filho no-lo revelou:
· A expressão "Deus Pai" nunca fora revelada a ninguém. Quando o próprio Moisés perguntou a Deus quem Ele era, ouviu outro nome.
· A nós este nome foi revelado no Filho, pois este nome novo implica o nome novo de Pai.
· Podemos invocar a Deus como "Pai", porque Ele nos foi revelado por seu Filho feito homem e porque seu Espírito no-lo faz conhecer. Aquilo que o homem não pode conceber nem as potências angélicas podem entrever, isto é, a relação pessoal do Filho com o Pai, eis que o Espírito do Filho nos faz participar nela (nessa relação pessoal), nós, que cremos que Jesus é o Cristo e (cremos) que somos nascidos de Deus.
· A primeira palavra da Oração do Senhor é uma bênção de adoração, antes de ser uma súplica. Pois a Glória de Deus é que nós o reconheçamos como "Pai", Deus verdadeiro. Rendemo-lhe graças por nos ter revelado seu Nome, por nos ter concedido crer nele e por sermos habitados por sua Presença.

02). O MODELO DA APROXIMAÇÃO CONFIANTE

1. Cristo ao nos dar esta expressão “Pai nosso” nos ensina a aproximação confiante e ousada
· Diante da sarça ardente, foi dito a Moisés: "Não te aproximes daqui; tira as sandálias" (Ex 3,5).
· Este limiar da Santidade divina só Jesus podia transpor, Ele que, "depois de ter realizado a purificação dos pecados" (Hb 1,3), nos introduz diante da Face do Pai: "Eis-me aqui com os filhos que Deus me deu" (Hb 2,13).
· Quando ousaria a fraqueza de um mortal chamar a Deus seu Pai, senão apenas quando o íntimo do homem é animado pela Força do a1to?
Nas liturgias do Oriente e do Ocidente existe uma bela expressão tipicamente cristã: "parrhesia", simplicidade sem rodeios, confiança filial, jovial segurança, audácia humilde, certeza de ser amado.
· Aos pais e filhos: Este modelo de aproximação confiante deve perdurar entre pais e filhos, de um lado o pai proporciona condição favorável para a aproximação do filho, removendo todos os possíveis obstáculos, do outro lado, o filho exercendo confiança no pai, se aproxima de coração aberto e confiante no amor paternal, na qual ele pode reclinar e descansar na certeza de que será amado a despeito de suas fraquezas.

03). O MODELO DA CONVERSÃO CONTÍNUA

1. Jesus nesta expressão nos leva a revelação de nós mesmos ao mesmo tempo que o Pai nos é revelado
a) Quanto a nós:
· Não ousavamos levantar nosso rosto ao céu,
· Baixavamos nosso olhos para a terra,
· E de repente recebemos a graça de Cristo: todos os nossos pecados nos foram perdoados.
· De servos maus tornamos bons filhos
· Por isso levantemos, pois, nossos olhos para o Pai que nos resgatou por seu Filho e dizemos: “Pai nosso...” Mas não exijas nenhum privilégio. Somente de Cristo Ele é Pai, de modo especial; para nós é Pai em comum, porque gerou somente a Ele; a nós, ao invés, Ele nos criou. Dize, portanto, também tu, pela graça: Pai Nosso, a fim de mereceres ser seu filho.
2.Este dom gratuito da adoção exige de nossa parte uma conversão contínua e uma vida nova. Orar a nosso Pai deve desenvolver em nós, duas disposições fundamentais:
a). Primeira disposição fundamental: o desejo e a vontade de assemelhar-se a Ele. Criados à sua imagem, é por graça que a semelhança nos é dada e a ela devemos responder.
· Quando chamamos a Deus de "nosso Pai", precisamos lembrar-nos de que devemos comportar-nos como filhos de Deus.
· Não podeis chamar de vosso Pai ao Deus de toda bondade, se conservais um coração cruel e desumano; pois nesse caso já não tendes mais em vós a marca da bondade do Pai celeste.
· É preciso contemplar sem cessar a beleza do Pai e com ela impregnar nossa alma.
b). Segunda disposição fundamental: um coração humilde e confiante que nos faz "retornar à condição de crianças" (Mt 18,3), porque é aos pequeninos que o Pai se revela (Mt 11,25):
· É um olhar sobre Deus tão-somente, um grande fogo de amor.
· A alma nele se dissolve e se abisma na santa dileção, e se entretém com Deus como com seu próprio Pai, bem familiarmente, com ternura de piedade toda particular.
· Nosso Pai: este nome suscita em nós, ao mesmo tempo, o amor, a afeição na oração, (...) e também a esperança de alcançar o que vamos pedir... Com efeito, o que poderia Ele recusar ao pedido de seus olhos, quando já antes lhes permitiu ser seus filhos.
· Aos pais e filhos: Deve haver uma disposição de conversão entre pais e filhos, todos desejando sempre se voltar uma para o outro, reconhecendo os erros e perdoando as ofensas.

04). MODELO DE UMA NOVA RELAÇÃO

1. Pai "Nosso" refere-se a Deus. De nossa parte, este adjetivo não exprime uma posse, mas uma relação inteiramente nova com Deus.
· Quando dizemos Pai "nosso", reconhecemos primeiramente que todas as suas promessas de amor anunciadas pelos profetas se cumprem na nova e eterna Aliança em Cristo: nós nos tornamos seu Povo e Ele é, doravante, "nosso" Deus.
· Esta relação nova é uma pertença mútua dada gratuitamente: é pelo amor e pela fidelidade que devemos responder "à graça e à verdade" que nos são dadas em Jesus Cristo.
2.Pai “Nosso” uma relação que transcende o tempo presente
· Este "nosso" exprime também a certeza de nossa esperança na última promessa de Deus; na Jerusalém nova, dirá Ele ao vencedor: "Eu serei seu Deus e ele será meu filho" (Ap 21,7).
3.Pai “Nosso” é um apelo a relação de unidade dos cristãos
· Por isso, apesar das divisões dos cristãos, a oração ao "nosso" Pai continua sendo o bem comum e um apelo urgente para todos os da comunidade dos batizados manterem-se unidos como unido está os membros da Trindade Santa.
4.Pai “Nosso” uma apelo para superarmos as nossas divisões e oposições
· Verdadeiramente ao orarmos "Nosso Pai", saímos do individualismo, pois o amor que acolhemos nos liberta (do individualismo). O "nosso" do início da Oração do Senhor, como o "nós" dos quatro últimos pedidos, não exclui ninguém. Para que seja dito em verdade, nossas divisões e oposições devem ser superadas.
· Não podemos rezar ao Pai "nosso" sem levar para junto dele todos aqueles por quem Ele entregou seu Filho bem-amado.
· O amor de Deus é sem fronteiras; nossa oração também deve sê-lo. Orar ao "nosso" Pai abre-nos para as dimensões de Seu amor manifestado no Cristo: Esta solicitude divina por todos os homens e por toda a criação deve animar a todos quantos se dizem “filhos” do “Nosso” Pai.
· Aos pais e filhos: A esperança de dias melhores, a busca da unidade na família e a superação das divisões e oposições no lares devem nortear a vida de pais e filhos, neste dia especial.

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