terça-feira, 2 de março de 2010

A TEOLOGIA DA GLÓRIA

A teologia da glória tem seu enfoque na razão humana e naquilo que consegue descobrir a respeito de Deus exclusivamente a partir da natureza, fazendo com isso, que seus adeptos sejam conduzidos inevitavelmente à espiritualidade moralista da justiça segundo as obras, porque esse conceito parece mais racional para o intelecto humano pecaminoso e caído do que o Evangelho de justificação pela morte de Cristo recebida pela graça mediante a fé somente.

Vemos este conceito de modo prático entre certa ala dos evangélicos. Embora professe a salvação pela graça mediante a fé em Cristo, as demais bênçãos posteriores à esta salvação virá mediante as obras, (tipo: oração, jejum, dízimo, ofertas, participações em determinadas atividades ou programações da igreja), já temos o chamado “encontro com Deus”, como delimitador ou aferidor daqueles que podem ou não podem participar de outros programas da igreja. Aqueles que fazem tais obras, são glorificados com a recompensa do “bem está servo bom e fiel...”, esta espiritualidade moralista da justiça pelas obras é ensinada, praticada e vivenciada em várias igrejas (inclusive batista nacional), sob as barbas da liderança denominacional, que ou não querem se pronunciar ou não tem senso de análise crítica e teológica.

A teologia da glória é a teologia centralizada no homem e induz à superestimação do poder e da capacidade naturais do homem. O homem pode tudo, ele é imbatível, é o todo-poderoso, tão poderoso que já determina o que Deus deve e precisa fazer para o bem estar de sua super-poderosa criação humana. É um tal de determinar, de dar a voz de comando, de colocar as plantas dos pés, de segurar Deus pelo “beiço” através dos atos proféticos, em suma nós estamos tão bem na “foto” que já mandamos em Deus.

Outrora se lia na Bíblia que a verdadeira condição humana é de pecadores desamparados, alienados de Deus, na mente e no coração, necessitando desesperadamente do plano de salvação criado por Deus: Jesus Cristo.

A teologia da glória sugere que os seres humanos podem se elevar a Deus por seus próprios esforços e conduz a projetos humanos de salvação própria e de especulação teológica. É tão forte esta concepção que o hits mais cantado e vendido entre os evangélicos da atualidade proclama: “Quero subir ao mais alto que eu puder...”

Estamos criando nossos próprios projetos de salvação, seja qual for seu esquema, seu método, sua teoria, a verdade é que a teologia da glória nos cegou com seus canhões de luzes malignas e carnais.

Precisamos de uma teologia que proclama que os seres humanos são totalmente dependentes e incapazes de descobrir qualquer coisa a respeito de Deus sem a ajuda do próprio Deus, e conduz ao discipulado marcado pelo sofrimento em nome de Deus e do próximo.
Na teologia do Evangelho não tem glória a não ser em Cristo. A cruz não dá ibope, não rende, não aplaude e estamos apaixonados demais com nosso projeto de salvação, para nos render ao péssimo mau gosto da crucificação.

Já ouço os super-crentes dizerem:

- Tá amarrado! Tá rejeitado tal proposta em meu poderoso nome, afinal eu posso em mim mesmo.

Exagero? Observai vossas assembléias solenes e vereis do que vos falo.

É a glória, mano, a nossa glória e nada mais, o que passa disso é procedência da Bíblia.

Um comentário:

  1. Estava precisando ler isso!

    Como disse William P. Young em seu livro:" Nós é quem determinamos o que é bom ou ruim. Nos tornamos juiz de nossa própria vida. Brincamos de Deus com essa independência, depois precisamos desse mesmo Deus pra parar com essa ânsia insana de independência."(A Cabana; pags 122,123)

    Márcio Valério - IBNVA

    ResponderExcluir